"Eu e os meus irmãos” é o nome de uma reportagem da SIC acerca dos órfãos de SIDA em Moçambique.
Já tinha ganho um prémio para melhor imagem no Festival International Du Grand Reportage d'Actualite (FIGRA), em França, agora foi o Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença.
Quando se vê esta reportagem não mais se esquece.
Ou então vê-se e faz-se depois por não se pensar mais nisso - que é como eles dizem quando se referem ao pai e à mãe que não têm.
"Eu e os meus irmãos"
Jornalista: Cândida Pinto
Repórter de imagem: Jorge Pelicano
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sábado, 19 de junho de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
FAT
O artigo de Paul Krugman publicado no New York Times no passado dia 22 de Abril diz de forma clara e despudorada muito do que por aí se ouve. E aquilo que o senso comum conversa à mesa do café, fica brilhante nas palavras de um Nobel da Economia.
(traduzi, porque importa ser lido, por todos)
(traduzi, porque importa ser lido, por todos)
"Don’t Cry for Wall Street
Paul Krugman, The New York Times
Abril 22, 2010
Na quinta-feira passada o presidente Obama esteve em Manhattan, onde pediu apoio para a reforma financeira a uma audiência formada em grande parte por pessoas da Wall Street. "Eu acredito", declarou ele, "que estas reformas serão, no final, não apenas do interesse do nosso país, mas também do interesse do sector financeiro."
Bom, eu gostaria que ele não o tivesse dito – não apenas porque na verdade ele precisa, por uma questão política, de tomar uma atitude populista, de criar publicamente alguma distância entre ele e os banqueiros. A verdade é que Obama deveria tentar fazer o que é mais correcto para o país – ponto final. Se ao fazê-lo ele acabar por ferir os banqueiros, tudo bem.
Mais do que isso, a reforma deve ferir os banqueiros. Um número crescente de analistas sugere que uma indústria financeira sobredimensionada está a afectar a economia em geral. Reduzir o tamanho dessa indústria não vai fazer Wall Street feliz, mas o que é mau para a Wall Street seria bom para a América.
As reformas que estão agora sobre a mesa – e que eu apoio – podem acabar por ser boas para a indústria financeira, bem como para todos nós. Mas isso é assim porque elas apenas lidam com uma parte do problema: eles tornariam a finança mais segura, mas poderiam não a tornar mais pequena.
Qual é o problema das finanças? Comecemos pelo facto de a indústria financeira moderna gerar enormes lucros e remunerações, apesar de produzir poucos benefícios tangíveis.
Lembram-se do filme "Wall Street", de 1987, no qual Gordon Gekko declarava: a ganância é boa? Pelos padrões actuais, Gekko seria apenas um modesto e cauteloso jogador na bolsa. Nos anos que antecederam a crise de 2008 o sector financeiro foi responsável por um terço do total dos lucros internos – cerca do dobro do que era duas décadas antes.
Esses lucros justificavam-se, tal como me foi dito, porque a indústria financeira estava a fazer muito pela economia. Estava a canalizar capital para usos produtivos; estava a dispersar o risco; estava a reforçar a estabilidade financeira. Nada disto era verdade. O capital foi canalizado não para a criação de empregos inovadores, mas para uma bolha imobiliária insustentável; o risco concentrou-se, em vez de ter sido distribuído; e, quando a bolha imobiliária rebentou, o supostamente estável sistema financeiro implodiu, resultando como dano colateral a pior recessão global desde a Grande Depressão.
Então, porque é que os banqueiros estavam a amealhar? A minha opinião, reflectindo os esforços de economistas financeiros para dar um sentido à catástrofe, é que se tratava afinal de jogar com o dinheiro de outros. O sector financeiro fez grandes e arriscadas apostas com fundos emprestados – apostas que pagaram altos rendimentos até ficarem em má situação – mas conseguia obter dinheiro barato porque os investidores não entendiam quão frágil era a indústria financeira.
E quanto aos tão propalados benefícios da inovação financeira? Eu concordo com os economistas Andrei Shleifer e Vishny Robert, que defendem num artigo recente que muita dessa inovação consistia em criar a ilusão da segurança, proporcionando aos investidores “falsos substitutos” para activos fora de moda, tais como os depósitos bancários. A ilusão (a magia) acabou por falhar – e o resultado foi uma crise financeira desastrosa.
A propósito, no seu discurso de quinta-feira Obama insistiu – por duas vezes – que a reforma financeira não inibirá a inovação. Infelizmente.
E eis o que se está a passar: após sofrer um forte golpe na sequência da crise, os lucros do sector financeiro estão novamente a subir. Parece muitíssimo provável que a indústria financeira em breve vá voltar a jogar os mesmos jogos que, em primeiro lugar, nos meteram nesta embrulhada.
Então, o que fazer? Como eu disse, eu apoio as propostas de reforma da administração Obama e dos seus aliados no Congresso. Entre outras coisas, seria uma vergonha ver a campanha anti-reforma dos líderes republicanos – uma campanha marcada por uma desonestidade e hipocrisia de tirar o fôlego – tornar-se bem sucedida.
Mas essas reformas devem ser apenas o primeiro passo. Precisamos também de reduzir o tamanho da finança.
E não são apenas críticos de fora a dizê-lo (não que haja algo errado com os críticos de fora, os quais têm tido muitas vezes mais razão do que os supostos conhecedores; ver Greenspan, Alan). Uma proposta interessante está prestes a ser revelada, com origem, nem mais nem menos, no Fundo Monetário Internacional. Num documento passado para o exterior, preparado para uma reunião deste fim-de-semana, o Fundo apela a uma taxa sobre a actividade financeira (Financial Activity Tax) – sim, FAT – a qual incidiria sobre os lucros e remunerações da indústria financeira.
Tal imposto, alega o Fundo, poderia "mitigar a tomada de riscos excessivos." Poderia também "levar a reduzir a dimensão do sector financeiro", o que é apresentado pelo Fundo como algo de bom.
Na verdade, a proposta do Fundo Monetário Internacional é até bastante leve. No entanto, se ela vier a tornar-se realidade, Wall Street vai uivar.
O facto é que nós temos vindo a dedicar uma fatia demasiadamente grande da nossa riqueza, demasiado talento do nosso País, à actividade de conceber e “tramar” complexos esquemas financeiros – esquemas que têm uma tendência para fazer rebentar a economia. Acabar com este estado de coisas irá prejudicar o sector financeiro. E então?"
domingo, 25 de abril de 2010
O responsável já foi despedido
Sim, mas entre despedimentos e pedidos oficiais de desculpas, tornou-se pública a lista criada por funcionários do "Foreign Office" britânico durante um "brainstorming" com vista a gerar ideias para possíveis actividades do Papa durante a próxima visita ao Reino Unido.
Sim senhor, tiro-lhes o chapéu. Desde criar clínicas de aborto a abençoar um casamento homossexual, vejo aqui potencial para a malta do "Foreign Office" poder vir a trabalhar para as Produções Fictícias. Ou então, para criarem um campeonato privado com o Vaticano no que diz respeito a "gaffes".
Segundo eles, "The ideal visit would see…"
Sim senhor, tiro-lhes o chapéu. Desde criar clínicas de aborto a abençoar um casamento homossexual, vejo aqui potencial para a malta do "Foreign Office" poder vir a trabalhar para as Produções Fictícias. Ou então, para criarem um campeonato privado com o Vaticano no que diz respeito a "gaffes".
Segundo eles, "The ideal visit would see…"
Clicar na imagem, para a ampliar
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Eyjafjallajökull [ˈɛɪjaˌfjatlaˌjœːkʏtl̥]
Esta situação que envolve a erupção vulcânica na Islândia denota uma hipocrisia à escala global. O que agora se verifica é simples: quando se trata de vulcões que ao longo dos tempos fizeram história – casos do Vesúvio, do Stromboli ou do Etna, e mesmo outros mais distantes, como por exemplo o Kilauea, no Hawai – toda a gente fala abertamente e sem receios, tratando-os a todos pelos seus nomes. Contudo, a propósito da nuvem de cinzas que agora paira sobre a Europa, todos referem apenas o “vulcão da Islândia”.
Mas o que é isto? Porventura existem vulcões “de primeira” e vulcões “de segunda”? Há vulcões com nome na praça, enquanto outros o vêem definitivamente proscrito? Mas porquê? Por se tratar de um pequeno país na bancarrota, já convém não mostrar muita intimidade, será isso?
Chegou a hora de acabar com esta hipocrisia! Tratemos as coisas pelos seus nomes! Defendamos o bom-nome deste vulcão: ˈɛɪjaˌfjatlaˌjœːkʏtl̥!
Como aqui, no metro de Times Square:
Isso mesmo: ˈɛɪjaˌfjatlaˌjœːkʏtl̥!
E agora, nos noticiários do Mundo:
Mas o que é isto? Porventura existem vulcões “de primeira” e vulcões “de segunda”? Há vulcões com nome na praça, enquanto outros o vêem definitivamente proscrito? Mas porquê? Por se tratar de um pequeno país na bancarrota, já convém não mostrar muita intimidade, será isso?
Chegou a hora de acabar com esta hipocrisia! Tratemos as coisas pelos seus nomes! Defendamos o bom-nome deste vulcão: ˈɛɪjaˌfjatlaˌjœːkʏtl̥!
Como aqui, no metro de Times Square:
Isso mesmo: ˈɛɪjaˌfjatlaˌjœːkʏtl̥!
E agora, nos noticiários do Mundo:
terça-feira, 9 de março de 2010
O mundo do Professor Luis Soriano
O mundo do Professor Luis Soriano é este, feito de viagens de ida e volta, livros, crianças e uma causa. Coisas que até já não se vêem assim tanto por aí.
Ah... e um burro também.
(obg pela dica, daniel:-)
Ah... e um burro também.
(obg pela dica, daniel:-)
domingo, 7 de março de 2010
Tarde de mais
Desde o dia em que se soube do Leandro, a minha hesitação em publicar este post, os avanços e os recuos, alternaram com a busca, às vezes frenética - nos media, na net, nos que me rodeiam - da opinião de outros, dos que sabem das coisas, dos que ensinam nas escolas, dos que sabem porque também lhes aconteceu... Como quem procura uma tábua para se agarrar, referências que confortem.
Tarde de mais: li já demasiadas inconsequências e ouvi outras tantas imbecilidades sem sentido.
Ao pensar no Leandro, passei ao longo destes dias por momentos da mais dura raiva e pessimismo, até outros em que vislumbrei uma ponta por onde pegar na esperança.
Quando a bestialidade nos rodeia ficamos expostos ao desnorte. Sem soluções prontas ficamos à mercê de desejos e da esperança de que algo seja feito. Porque, tal como ouvi dizer, não compreendo que se continue a falar do resto sem que um clamor atravesse o País.
É tarde de mais para o Leandro. O silêncio que o rodeou matou-o, mesmo quando o primo correu atrás dele. "A mim não me batem mais", terá dito, antes de descer até à margem, despir a roupa e entrar no rio.
É tarde de mais. Até agora pouco vi que valha a pena reter, apenas a noção da enorme necessidade de que se fale, se denuncie, se fale, se fale, se fale... Do pouco que até agora me fica, retenho o artigo da jornalista do Diário de Notícias, Helena Teixeira da Silva, de que, com o devido crédito, aqui me socorro.
Foi-me insuportável conter a emoção ao lê-lo, tal como me continua a ser insuportável não vencer a relutância em fazer este post.
Artigo do Diário de Notícias, publicado a 4 de Março de 2010
"Ontem, quarta-feira, Christian não foi à escola. No dia anterior, almoçou à pressa na cantina, saiu aflito para o recreio quando viu, mais uma vez, o corpo franzino de Leandro, primo e amigo de 12 anos, ser espancado por dois colegas mais velhos.
Depois, perseguiu o rapaz que, cansado da tortura de quase todos os dias, ameaçou lançar-se da ponte, ali a dois passos. Perseguiu-o, impediu-o. Por fim, imitou-lhe os passos, degrau a degrau, até à margem do rio Tua. O primeiro estava decidido a morrer: despiu-se, atirou-se. O segundo estava decidido a salvá-lo: despiu-se, atirou-se.
Leandro morreu - é a primeira vítima mortal de bullying em Portugal; Christian agarrou-se a uma pedra para sobreviver. Antes, arriscou a vida a dobrar: digestão em curso em água gelada. Eram 13.40 horas. Ontem não foi à escola. Os pesadelos atrasaram-lhe o sono. Acordou cansado, alheado, emudecido. Leandro não é caso único. Ele também já foi agredido.
Christian não é o super-homem; não é sequer rapaz encorpado; é um menino assustado, tem 11 anos, não terá 40 quilos, o rosto salpicado de sardas e tristeza. Os olhos dos pais pregados nele, os dele cravados no chão da sala. Não estava sozinho na luta. "Estava eu, o Márcio (irmão gémeo de Leandro), o Ricardo...", este e aquele, os nomes dos amigos como um ditado, ele encolhido, no colo um cão minúsculo a quem insistentemente afaga o pêlo. "Não conseguimos salvá-lo, já estávamos tão cansados". O lamento sabe a resignação e à inquietação de quem veio de outra escola, em Andorra, Espanha, onde "à mais pequena coisa, os professores chamavam os pais", recordam, "preocupados", Júlio e Júlia Panda, pais de Christian, filhos da terra, Mirandela, no cume de Trás-os-Montes, retornados há pouco mais de um ano, trazidos com a crise e o desemprego. Vivem agora na aldeia de Cedainhos, a 15 quilómetros da cidade, lugar estacionado no tempo, onde vivia também Leandro e onde todas as casas, com laços mais ou menos próximos, são casas da mesma família.
Um palmo acima, na mesma rua, vive a avó, Zélia Morais. Tem a cozinha cheia netos, mais de dez, netos de todas as idades, os gritos inocentes dos mais novos a misturarem-se na dor dos outros. Sabe tudo ao mesmo fado. É a imagem da desolação, ela prostrada no sofá, o coração com febre. "O meu menino era tão humilde. Todos os dias vinha saber de mim. Todos os dias", palavras repetidas embrulhadas em falta de ar. "E agora?" Agora, responde o filho Augusto, homem de meia idade que a coluna prendeu a uma cadeira de rodas, "agora, nem que tenha de vender tudo, vou até ao fim do mundo para saber quem levou o meu sobrinho a matar-se". A ameaça parece dura, dura um segundo, desfaz-se em pranto. "O meu menino sentava-se aqui comigo, conversava como adulto, era a minha companhia". Os pais de Leandro também vivem ali; não estão. "Estão em casa amiga, passaram a noite no hospital".
Ontem Christian não foi à escola. Mas na escola dele - E.B. 2,3 Luciano Cordeiro, onde partilhava o 6º ano com Leandro -, o dia foi normal. Nem portas fechadas nem luto nem explicação. O porteiro do turno da tarde entrou às 15 horas, bem disposto. "Sou jornalista, queria uma entrevista", ironizou. Tiro no pé. O JN estava lá. Perdeu o humor, convidou-nos a sair "já". A docente que saía do recinto também foi avisada, inverteu a marcha, já não saiu. Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro? Responde Christian: "Todos batem em todos".
Helena Teixeira da Silva
Tarde de mais: li já demasiadas inconsequências e ouvi outras tantas imbecilidades sem sentido.
Ao pensar no Leandro, passei ao longo destes dias por momentos da mais dura raiva e pessimismo, até outros em que vislumbrei uma ponta por onde pegar na esperança.
Quando a bestialidade nos rodeia ficamos expostos ao desnorte. Sem soluções prontas ficamos à mercê de desejos e da esperança de que algo seja feito. Porque, tal como ouvi dizer, não compreendo que se continue a falar do resto sem que um clamor atravesse o País.
É tarde de mais para o Leandro. O silêncio que o rodeou matou-o, mesmo quando o primo correu atrás dele. "A mim não me batem mais", terá dito, antes de descer até à margem, despir a roupa e entrar no rio.
É tarde de mais. Até agora pouco vi que valha a pena reter, apenas a noção da enorme necessidade de que se fale, se denuncie, se fale, se fale, se fale... Do pouco que até agora me fica, retenho o artigo da jornalista do Diário de Notícias, Helena Teixeira da Silva, de que, com o devido crédito, aqui me socorro.
Foi-me insuportável conter a emoção ao lê-lo, tal como me continua a ser insuportável não vencer a relutância em fazer este post.
Artigo do Diário de Notícias, publicado a 4 de Março de 2010
"Ontem, quarta-feira, Christian não foi à escola. No dia anterior, almoçou à pressa na cantina, saiu aflito para o recreio quando viu, mais uma vez, o corpo franzino de Leandro, primo e amigo de 12 anos, ser espancado por dois colegas mais velhos.
Depois, perseguiu o rapaz que, cansado da tortura de quase todos os dias, ameaçou lançar-se da ponte, ali a dois passos. Perseguiu-o, impediu-o. Por fim, imitou-lhe os passos, degrau a degrau, até à margem do rio Tua. O primeiro estava decidido a morrer: despiu-se, atirou-se. O segundo estava decidido a salvá-lo: despiu-se, atirou-se.
Leandro morreu - é a primeira vítima mortal de bullying em Portugal; Christian agarrou-se a uma pedra para sobreviver. Antes, arriscou a vida a dobrar: digestão em curso em água gelada. Eram 13.40 horas. Ontem não foi à escola. Os pesadelos atrasaram-lhe o sono. Acordou cansado, alheado, emudecido. Leandro não é caso único. Ele também já foi agredido.
Christian não é o super-homem; não é sequer rapaz encorpado; é um menino assustado, tem 11 anos, não terá 40 quilos, o rosto salpicado de sardas e tristeza. Os olhos dos pais pregados nele, os dele cravados no chão da sala. Não estava sozinho na luta. "Estava eu, o Márcio (irmão gémeo de Leandro), o Ricardo...", este e aquele, os nomes dos amigos como um ditado, ele encolhido, no colo um cão minúsculo a quem insistentemente afaga o pêlo. "Não conseguimos salvá-lo, já estávamos tão cansados". O lamento sabe a resignação e à inquietação de quem veio de outra escola, em Andorra, Espanha, onde "à mais pequena coisa, os professores chamavam os pais", recordam, "preocupados", Júlio e Júlia Panda, pais de Christian, filhos da terra, Mirandela, no cume de Trás-os-Montes, retornados há pouco mais de um ano, trazidos com a crise e o desemprego. Vivem agora na aldeia de Cedainhos, a 15 quilómetros da cidade, lugar estacionado no tempo, onde vivia também Leandro e onde todas as casas, com laços mais ou menos próximos, são casas da mesma família.
Um palmo acima, na mesma rua, vive a avó, Zélia Morais. Tem a cozinha cheia netos, mais de dez, netos de todas as idades, os gritos inocentes dos mais novos a misturarem-se na dor dos outros. Sabe tudo ao mesmo fado. É a imagem da desolação, ela prostrada no sofá, o coração com febre. "O meu menino era tão humilde. Todos os dias vinha saber de mim. Todos os dias", palavras repetidas embrulhadas em falta de ar. "E agora?" Agora, responde o filho Augusto, homem de meia idade que a coluna prendeu a uma cadeira de rodas, "agora, nem que tenha de vender tudo, vou até ao fim do mundo para saber quem levou o meu sobrinho a matar-se". A ameaça parece dura, dura um segundo, desfaz-se em pranto. "O meu menino sentava-se aqui comigo, conversava como adulto, era a minha companhia". Os pais de Leandro também vivem ali; não estão. "Estão em casa amiga, passaram a noite no hospital".
Ontem Christian não foi à escola. Mas na escola dele - E.B. 2,3 Luciano Cordeiro, onde partilhava o 6º ano com Leandro -, o dia foi normal. Nem portas fechadas nem luto nem explicação. O porteiro do turno da tarde entrou às 15 horas, bem disposto. "Sou jornalista, queria uma entrevista", ironizou. Tiro no pé. O JN estava lá. Perdeu o humor, convidou-nos a sair "já". A docente que saía do recinto também foi avisada, inverteu a marcha, já não saiu. Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro? Responde Christian: "Todos batem em todos".
Helena Teixeira da Silva
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
FAQs
O tempo não está bom por essa Europa e aquilo que sei acerca da relação entre o frio extremo e os aviões não me deixa descansado sobre o facto de voar amanhã para Paris (e sobretudo sobre o querer voltar no dia seguinte).
Ora, falando-se como se tem falado nos últimos dias sobre aeroportos encerrados, cancelamentos e atrasos nos voos, achei que seria avisado saber como está a situação e consultar o site da companhia em que irei voar.
Assim fiz. Para além de ter confirmado não ser possível confirmar mais do que a possibilidade de continuarem a ocorrer cancelamentos e atrasos nos voos, as FAQs permitiram-me também ficar a par de algo que me fazia muita falta saber, sobretudo agora.
Isto:
Assim sim, fiquei muito mais descansado.
Ora, falando-se como se tem falado nos últimos dias sobre aeroportos encerrados, cancelamentos e atrasos nos voos, achei que seria avisado saber como está a situação e consultar o site da companhia em que irei voar.
Assim fiz. Para além de ter confirmado não ser possível confirmar mais do que a possibilidade de continuarem a ocorrer cancelamentos e atrasos nos voos, as FAQs permitiram-me também ficar a par de algo que me fazia muita falta saber, sobretudo agora.
Isto:
Assim sim, fiquei muito mais descansado.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
As escadinhas do Hot
sábado, 19 de dezembro de 2009
Clima de vergonha
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Está explicado
Aqui está: a primeira fotografia saída da investigação que está a decorrer ao incidente com o voo da Northwest Airlines que, por alegada distracção dos pilotos, passou 240 km para além do aeroporto de destino, Minneapolis.
Entretanto tinha já voado durante 91 minutos sem comunicar com o controlo de tráfego aéreo!
Entretanto tinha já voado durante 91 minutos sem comunicar com o controlo de tráfego aéreo!
domingo, 6 de setembro de 2009
Como melhor explicar a política às crianças: um caso prático
Há já muito, muito tempo, a minha filha começou a perguntar-me quando é que afinal teremos cá em casa um dos tais computadores a que, caso o quisessem, as crianças em Portugal poderiam vir a ter acesso.Mais de um ano passou e alguns milhares de crianças portuguesas - e muitas outras venezuelanas - receberam os seus "Magalhães". Cá por casa, nada.
Na edição online do Público leio hoje que, de acordo com uma fonte do Plano Tecnológico da Educação (PTE), "A manutenção dos programas e-escolinhas e e-escola, que permitem aos alunos comprar um computador com ligação à Internet - o famoso Magalhães para os estudantes do 1.º ciclo e os portáteis para os restantes, do 2.º ciclo ao secundário -, está dependente dos resultados das eleições legislativas e de quem será o novo Governo".
Assim, quando a minha filha me voltar a questionar sobre este assunto dir-lhe-ei a verdade, sem rodeios, que mesmo que não a compreenda agora, lhe permitirá mais facilmente vir a perceber as "verdades" da política.
E nós, os mais velhos, compreendemos assim melhor como é que cedo se começa a instalar a descrença nos políticos.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Galileu Galilei
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
O todo e as partes

Hieronymus Bosch, “The Garden of Earthly Delights”
(detalhe do painel direito, “The Hell”)
- BPN, Freeport, BPP, relatórios da OCDE, influências, enriquecimentos súbitos.
- O Ministério Público poupa o Magalhães à sátira no Carnaval de Torres Vedras.
- Professores são ordenados a participar no Carnaval nas ruas de Paredes de Coura.
Cada caso será discutível e terá contornos particulares a ajudar à explicação. Isto se houver – e há – pessoas preocupadas em arranjar-lhes explicações.
Mas quando se olha para o todo é impossível conter a náusea, ou não morder a língua para continuar calado.
É Carnaval e o todo é pior do que a soma das partes.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Dédalos e Ícaros
Não sei bem o que me fascina mais, se o "Camino del Rey", ou se isto. Claro que isto tem a seu favor o sonho de Dédalo e de Ícaro, que também a mim me persegue desde a minha mais tenra (antigu)idade.Mas, se este me fascina mais, vejo-os a ambos com semelhante grau de desconforto.
Sempre em 'full screen'.
domingo, 18 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Só
Ao iniciar este blog há quase um ano atrás não supunha vir hoje aqui com o intuito de vos dizer isto.
Que durante o último ano se passaram várias coisas significativas na minha vida e que este blog foi uma delas.
Que esta é uma espécie de sala de visitas que eu gosto de manter arrumadinha e acolhedora para quem a quer vir visitar.
Que, mais do que o blog em si, são as pessoas que o frequentam aquilo que importa. E que - apesar de eu não ser regular como gostaria de ser - são elas que o mantêm, apenas pelo facto de o visitarem e ajudarem a construir.
Por isso - e porque já vou longo de mais para aquilo que tinha planeado - venho desejar apenas, a todos, um bom 2009.
Que durante o último ano se passaram várias coisas significativas na minha vida e que este blog foi uma delas.
Que esta é uma espécie de sala de visitas que eu gosto de manter arrumadinha e acolhedora para quem a quer vir visitar.
Que, mais do que o blog em si, são as pessoas que o frequentam aquilo que importa. E que - apesar de eu não ser regular como gostaria de ser - são elas que o mantêm, apenas pelo facto de o visitarem e ajudarem a construir.
Por isso - e porque já vou longo de mais para aquilo que tinha planeado - venho desejar apenas, a todos, um bom 2009.
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